A estrutura social gerada pela escravidão no Brasil colonial estabeleceu hierarquias não apenas entre senhores e escravizados, mas também divisões internas dentro da própria população escravizada e liberta. De acordo com a análise histórica das nuances desse sistema, constata-se que:
Ⓐ Os escravizados nascidos no Brasil (chamados crioulos) geralmente ocupavam postos de menor prestígio e tarefas mais pesadas do que os recém-chegados da África (chamados boçais).
Ⓑ A Igreja Católica barrava a participação de escravizados e libertos em suas práticas religiosas, impedindo a criação de irmandades leigas de negros e pardos.
Ⓒ Os escravizados chamados "ladinos" (já adaptados à língua e aos costumes coloniais) e os "crioulos" frequentemente recebiam preferência para funções domésticas ou de supervisão, criando uma estratificação que dificultava a união unânime contra os senhores.
Ⓓ O sistema jurídico colonial impedia que libertos (ex-escravizados) pudessem, por sua vez, tornar-se proprietários de outros escravos, reservando esse privilégio aos brancos puros.
Ⓔ As distinções de etnia e nação de origem dos africanos eram completamente anuladas e esquecidas no momento do desembarque, impossibilitando qualquer identificação cultural prévia entre os cativos.