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(UNIFESP) - QUESTÕES

Leia o texto a seguir e responda às questões de números 01 a 04. 

            Explico ao senhor: o diabo vige dentro do homem, os crespos do homem – ou é o homem arruinado, ou o homem dos avessos. Solto, por si, cidadão, é que não tem diabo nenhum. Nenhum! – é o que digo. O senhor aprova? Me declare tudo, franco – é alta mercê que me faz: e pedir posso, encarecido. Este caso – por estúrdio que me vejam – é de minha certa importância. Tomara não fosse... Mas, não diga que o senhor, assisado e instruído, que acredita na pessoa dele?! Não? Lhe agradeço! Sua alta opinião compõe minha valia. Já sabia, esperava por ela – já o campo! Ah, a gente, na velhice, carece de ter uma aragem de descanso. Lhe agradeço. Tem diabo nenhum. Nem espírito. Nunca vi. Alguém devia de ver, então era eu mesmo, este vosso servidor. Fosse lhe contar... Bem, o diabo regula seu estado preto, nas criaturas, nas mulheres, nos homens. Até: nas crianças – eu digo. Pois não é o ditado: “menino – trem do diabo”? E nos usos, nas plantas, nas águas, na terra, no vento... Estrumes... O diabo na rua, no meio do redemunho... (Guimarães Rosa. Grande Sertão: Veredas.)

(01. QUESTÃO) - A fala expressa no texto é de Riobaldo. De acordo com o narrador, o diabo 
a) vive preferencialmente nas crianças, livre e fazendo as suas traquinagens. 
b) é capaz de entrar no corpo humano e tomar posse dele, vivendo aí e perturbando a vida do homem. 
c) só existe na mente das pessoas que nele acreditam, perturbando-as mesmo sem existir concretamente. 
d) não existe como entidade autônoma, antes reflete os piores estados emocionais do ser humano. 
e) é uma condição humana e não está relacionado com as coisas da natureza.

(02. QUESTÃO) - A personagem Riobaldo dialoga com alguém que chama de senhor. Embora a fala dessa personagem não apareça, é possível recuperar, pela fala do narrador, os momentos em que seu interlocutor se manifesta verbalmente. Isso pode ser comprovado pelo trecho 
a) O senhor aprova? 
b) Nenhum! – é o que digo. 
c) Não? Lhe agradeço! 
d) Tem diabo nenhum. 
e) Até: nas crianças – eu digo.

(03. QUESTÃO) - O texto de Guimarães Rosa mostra uma forma peculiar de escrita, denunciada pelos recursos linguísticos empregados pelo escritor. Dentre as características do texto, está 
a) o emprego da linguagem culta, na voz do narrador, e o da linguagem regional, na voz da personagem. 
b) a recriação da fala regional no vocabulário, na sintaxe e na melodia da frase. 
c) o emprego da linguagem regional predominantemente no campo do vocabulário. 
d) a apresentação da língua do sertão fiel à fala do sertanejo. 
e) o uso da linguagem culta, sem regionalismos, mas com novas construções sintáticas e rítmicas.

(04. QUESTÃO) - A expressão Este caso, em destaque no texto, refere-se 
a) à existência do diabo. 
b) ao redemunho, reduto do diabo. 
c) à opinião do interlocutor. 
d) à velhice do narrador. 
e) ao estado preto do diabo.








(01. QUESTÃO) - D
Riobaldo, narrador-personagem, concebe a existência do diabo não como entidade autônoma, mas como parte da natureza humana, presente em suas ações, comportamentos e sentimentos não-virtuosos, conforme o trecho “o diabo vige dentro do homem, (...) ou é o homem arruinado, ou o homem dos avessos”.

(02. QUESTÃO) - C
A expressão interrogativa “não?” demonstra que o interlocutor manifestou uma opinião que causou a indagação do narrador. Isso se confirma na frase seguinte “sua alta opinião compõe minha valia”.

(03. QUESTÃO) - B
Em tom monologal, Riobaldo Tatarana interpela o seu suposto interlocutor acerca de uma de suas mais fundas atribulações: a existência e a natureza do diabo, que faz de Grande Sertão: Veredas, entre muitas outras coisas, um tratado moderno de demonologia. Estão presentes, como quer o enunciado: a oralidade da fala sertaneja, recriada artisticamente, a sintaxe entrecortada, sincopada, e a melopeia – a exploração das possibilidades poético-musicais da linguagem.

(04. QUESTÃO) - A
A expressão “Este caso” refere-se às reflexões feitas pelo narrador, no trecho anterior, sobre a existência do diabo.

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