A historiografia recente discute que a Independência do Brasil foi o resultado de um embate entre diferentes projetos políticos. O grupo liderado por José Bonifácio de Andrada e Silva (os chamados "coimbrãs" ou conservadores) defendia um projeto que se caracterizava por:
Ⓐ Uma monarquia fortemente centralizada no Rio de Janeiro, com Executivo forte, restrições à participação popular ampla e manutenção da ordem social escravista.
Ⓑ Uma república federativa inspirada no modelo norte-americano, com ampla autonomia para as províncias e fim imediato do tráfico de escravos.
Ⓒ A entrega da Coroa brasileira a um príncipe inglês, visando garantir a proteção militar definitiva contra os ataques de Portugal.
Ⓓ A descentralização política total, com a criação de assembleias provinciais soberanas que poderiam anular as leis do monarca.
Ⓔ Um socialismo utópico agrário que previa a redistribuição das terras dos engenhos para os camponeses livres e ex-escravizados.
Conforme o historiador Boris fausto: José Bonifácio e o grupo da elite que assumiu o controle do processo de independência defendiam a criação de um Estado monárquico constitucional, porém fortemente centralizado. Eles temiam que a descentralização ou a abertura democrática gerassem anarquia popular ou uma guerra civil que levasse à fragmentação do país (como ocorrera na América espanhola). Portanto, defendiam a centralização política em torno do Imperador e o controle estrito sobre as massas e sobre a população escravizada.
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