Torno a ver-vos, ó montes; o destinoAqui me torna a pôr nestes outeiros,Onde um tempo os gabões deixei grosseirosPelo traje da Corte, rico e fino.Aqui estou entre Almendro, entre Corino,Os meus fiéis, meus doces companheiros,Vendo correr os míseros vaqueirosAtrás de seu cansado desatino.Se o bem desta choupana pode tanto,Que chega a ter mais preço, e mais valiaQue, da Cidade, o lisonjeiro encanto,Aqui descanse a louca fantasia,E o que até agora se tornava em prantoSe converta em afetos de alegria.
Cláudio Manoel da Costa. In: Domício Proença Filho. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 78-9.
Sobre a estrutura formal do texto, é correto afirmar que:
Ⓐ Trata-se de um soneto em versos livres, sem preocupação com a métrica clássica.
Ⓑ É um soneto composto por dois quartetos e dois tercetos, com versos decassílabos.
Ⓒ É uma oitava rima, forma poética preferida pelos árcades para temas bucólicos.
Ⓓ São versos alexandrinos, marcando a influência da poesia francesa do século XVIII.
Ⓔ Trata-se de uma redondilha maior, típica da tradição popular portuguesa.
Cláudio Manoel da Costa foi um mestre da forma clássica. O poema segue rigorosamente a estrutura do soneto (4-4-3-3) e utiliza o verso decassílabo, padrão da tradição camoniana que os árcades buscaram restaurar.
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