27 de junho de 2026

(VPNE - CFGS/ESA 2026) - QUESTÃO

Torno a ver-vos, ó montes; o destino
Aqui me torna a pôr nestes outeiros, 
Onde um tempo os gabões deixei grosseiros 
Pelo traje da Corte, rico e fino. 

Aqui estou entre Almendro, entre Corino, 
Os meus fiéis, meus doces companheiros, 
Vendo correr os míseros vaqueiros 
Atrás de seu cansado desatino. 

Se o bem desta choupana pode tanto, 
Que chega a ter mais preço, e mais valia
Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto, 
Aqui descanse a louca fantasia, 
E o que até agora se tornava em pranto
Se converta em afetos de alegria.

Cláudio Manoel da Costa. In: Domício Proença Filho. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 78-9.

Sobre a estrutura formal do texto, é correto afirmar que:
Ⓐ Trata-se de um soneto em versos livres, sem preocupação com a métrica clássica.
Ⓑ É um soneto composto por dois quartetos e dois tercetos, com versos decassílabos.
Ⓒ É uma oitava rima, forma poética preferida pelos árcades para temas bucólicos.
Ⓓ São versos alexandrinos, marcando a influência da poesia francesa do século XVIII.
Ⓔ Trata-se de uma redondilha maior, típica da tradição popular portuguesa.

Cláudio Manoel da Costa foi um mestre da forma clássica. O poema segue rigorosamente a estrutura do soneto (4-4-3-3) e utiliza o verso decassílabo, padrão da tradição camoniana que os árcades buscaram restaurar.

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