Torno a ver-vos, ó montes; o destinoAqui me torna a pôr nestes outeiros,Onde um tempo os gabões deixei grosseirosPelo traje da Corte, rico e fino.Aqui estou entre Almendro, entre Corino,Os meus fiéis, meus doces companheiros,Vendo correr os míseros vaqueirosAtrás de seu cansado desatino.Se o bem desta choupana pode tanto,Que chega a ter mais preço, e mais valiaQue, da Cidade, o lisonjeiro encanto,Aqui descanse a louca fantasia,E o que até agora se tornava em prantoSe converta em afetos de alegria.
Cláudio Manoel da Costa. In: Domício Proença Filho. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 78-9.
O Arcadismo é frequentemente associado ao lema latino Aurea Mediocritas. Como esse conceito se manifesta no soneto de Cláudio Manoel da Costa?
Ⓐ Na busca por uma riqueza material moderada obtida através da mineração.
Ⓑ Na valorização da vida simples ("choupana") como o estado ideal de felicidade e equilíbrio.
Ⓒ Na descrição dos "míseros vaqueiros" como um exemplo de pobreza a ser evitada.
Ⓓ Na exaltação da mediocridade intelectual dos habitantes do campo.
Ⓔ Na escolha de rimas simples e sem complexidade erudita.
Aurea Mediocritas (o meio-termo de ouro) é a valorização da vida simples, sem o luxo excessivo da cidade, mas com o conforto necessário para o exercício intelectual e poético. A "choupana" que tem "mais preço e mais valia" que a cidade sintetiza essa ideia.
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