27 de junho de 2026

(VPNE - CFGS/ESA 2026) - QUESTÃO

Torno a ver-vos, ó montes; o destino
Aqui me torna a pôr nestes outeiros, 
Onde um tempo os gabões deixei grosseiros 
Pelo traje da Corte, rico e fino. 

Aqui estou entre Almendro, entre Corino, 
Os meus fiéis, meus doces companheiros, 
Vendo correr os míseros vaqueiros 
Atrás de seu cansado desatino. 

Se o bem desta choupana pode tanto, 
Que chega a ter mais preço, e mais valia
Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto, 
Aqui descanse a louca fantasia, 
E o que até agora se tornava em pranto
Se converta em afetos de alegria.

Cláudio Manoel da Costa. In: Domício Proença Filho. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 78-9.

O Arcadismo é frequentemente associado ao lema latino Aurea Mediocritas. Como esse conceito se manifesta no soneto de Cláudio Manoel da Costa?
Ⓐ Na busca por uma riqueza material moderada obtida através da mineração.
Ⓑ Na valorização da vida simples ("choupana") como o estado ideal de felicidade e equilíbrio.
Ⓒ Na descrição dos "míseros vaqueiros" como um exemplo de pobreza a ser evitada.
Ⓓ Na exaltação da mediocridade intelectual dos habitantes do campo.
Ⓔ Na escolha de rimas simples e sem complexidade erudita.

Aurea Mediocritas (o meio-termo de ouro) é a valorização da vida simples, sem o luxo excessivo da cidade, mas com o conforto necessário para o exercício intelectual e poético. A "choupana" que tem "mais preço e mais valia" que a cidade sintetiza essa ideia.

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