Torno a ver-vos, ó montes; o destinoAqui me torna a pôr nestes outeiros,Onde um tempo os gabões deixei grosseirosPelo traje da Corte, rico e fino.Aqui estou entre Almendro, entre Corino,Os meus fiéis, meus doces companheiros,Vendo correr os míseros vaqueirosAtrás de seu cansado desatino.Se o bem desta choupana pode tanto,Que chega a ter mais preço, e mais valiaQue, da Cidade, o lisonjeiro encanto,Aqui descanse a louca fantasia,E o que até agora se tornava em prantoSe converta em afetos de alegria.
Cláudio Manoel da Costa. In: Domício Proença Filho. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 78-9.
A menção a "Almendro" e "Corino" na segunda estrofe exemplifica uma convenção literária do período conhecida como:
Ⓐ Antropomorfismo, atribuindo características humanas a elementos da natureza.
Ⓑ Paganismo, resgatando deuses da mitologia nórdica para o contexto mineiro.
Ⓒ Pastoralismo, com o uso de pseudônimos de pastores para representar amigos ou o próprio poeta.
Ⓓ Indianismo, adaptando nomes indígenas para a estrutura do soneto clássico.
Ⓔ Regionalismo, utilizando nomes comuns entre os vaqueiros das Minas Gerais do século XVIII.
Os poetas árcades frequentemente adotavam nomes pastoris (pseudônimos) de origem clássica (grega ou latina) para si e para seus interlocutores, simulando uma vida de pastores em uma natureza idealizada, o que reforça o caráter convencional e fingido da poesia árcade.
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