18 de junho de 2026

(VPNE - CFGS/ESA 2026) - QUESTÃO

A transição da mão de obra indígena para a mão de obra africana escravizada no Brasil Colonial foi um processo complexo. Segundo a historiografia de Boris Fausto, um dos principais fatores que impulsionou a Coroa portuguesa a incentivar a importação de africanos foi:
Ⓐ O fato de os indígenas se recusarem terminantemente a realizar qualquer tipo de trabalho agrícola devido a barreiras culturais intransponíveis.
Ⓑ A lucratividade gerada pelo tráfico transatlântico de escravos, que beneficiava diretamente os comerciantes metropolitanos e as finanças da Coroa.
Ⓒ A total imunidade biológica dos povos africanos a todas as doenças europeias, diferentemente dos colonos portugueses.
Ⓓ A intervenção da Corona espanhola, que proibiu terminantemente o uso de mão de obra nativa em toda a América do Sul durante a União Ibérica.
Ⓔ A preferência dos jesuítas, que consideravam os africanos mais aptos ao catolicismo do que as populações indígenas locais. 

Boris Fausto destaca que, além da crise demográfica indígena causada por epidemias e guerras, o tráfico negreiro transatlântico constituía um setor altamente lucrativo da economia mercantilista. A compra e venda de cativos africanos gerava uma expressiva arrecadação de impostos para a Coroa e enriquecia a burguesia mercantil portuguesa, tornando-se uma engrenagem central do sistema colonial, o que não ocorria com o apresamento local de indígenas.

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