27 de junho de 2026

(VPNE - CFGS/ESA 2026) - QUESTÃO

Se eu morresse amanhã

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã…
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!
(Álvares de Azevedo)

Considerando a produção literária de Álvares de Azevedo e o contexto histórico do Romantismo brasileiro, o poema "Se eu morresse amanhã" aproxima-se da estética ultrarromântica porque
Ⓐ privilegia a representação objetiva da realidade nacional, aproximando-se do projeto indianista.
Ⓑ rompe com o subjetivismo romântico ao priorizar a observação científica da natureza.
Ⓒ transforma a morte em tema de reflexão existencial, associando-a ao sentimentalismo, ao idealismo e à frustração do futuro.
Ⓓ adota a sátira como procedimento dominante para criticar a sociedade burguesa do Segundo Reinado.
Ⓔ substitui a expressão dos sentimentos individuais pela exaltação dos valores coletivos e patrióticos.

A segunda geração romântica, também conhecida como Ultrarromantismo, caracteriza-se pelo subjetivismo exacerbado, pelo pessimismo, pela melancolia, pelo egocentrismo e pela recorrência da morte como tema literário. No poema, entretanto, a morte não é apenas idealizada; ela aparece em conflito com os sonhos e as possibilidades futuras do eu lírico, o que confere maior profundidade psicológica ao texto. As demais alternativas descrevem características de outras escolas literárias ou de outras fases do Romantismo brasileiro, como o Indianismo (1ª geração), o Condoreirismo (3ª geração), o Realismo ou a literatura de caráter social.

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