Se eu morresse amanhãSe eu morresse amanhã, viria ao menosFechar meus olhos minha triste irmã;Minha mãe de saudades morreriaSe eu morresse amanhã!Quanta glória pressinto em meu futuro!Que aurora de porvir e que manhã!Eu perdera chorando essas coroasSe eu morresse amanhã!Que sol! que céu azul! que doce n’alvaAcorda a natureza mais louçã!Não me batera tanto amor no peitoSe eu morresse amanhã!Mas essa dor da vida que devoraA ânsia de glória, o dolorido afã…A dor no peito emudecera ao menosSe eu morresse amanhã!
(Álvares de Azevedo)
Considerando a produção literária de Álvares de Azevedo e o contexto histórico do Romantismo brasileiro, o poema "Se eu morresse amanhã" aproxima-se da estética ultrarromântica porque
Ⓐ privilegia a representação objetiva da realidade nacional, aproximando-se do projeto indianista.
Ⓑ rompe com o subjetivismo romântico ao priorizar a observação científica da natureza.
Ⓒ transforma a morte em tema de reflexão existencial, associando-a ao sentimentalismo, ao idealismo e à frustração do futuro.
Ⓓ adota a sátira como procedimento dominante para criticar a sociedade burguesa do Segundo Reinado.
Ⓔ substitui a expressão dos sentimentos individuais pela exaltação dos valores coletivos e patrióticos.
A segunda geração romântica, também conhecida como Ultrarromantismo, caracteriza-se pelo subjetivismo exacerbado, pelo pessimismo, pela melancolia, pelo egocentrismo e pela recorrência da morte como tema literário. No poema, entretanto, a morte não é apenas idealizada; ela aparece em conflito com os sonhos e as possibilidades futuras do eu lírico, o que confere maior profundidade psicológica ao texto. As demais alternativas descrevem características de outras escolas literárias ou de outras fases do Romantismo brasileiro, como o Indianismo (1ª geração), o Condoreirismo (3ª geração), o Realismo ou a literatura de caráter social.
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