Se eu morresse amanhãSe eu morresse amanhã, viria ao menosFechar meus olhos minha triste irmã;Minha mãe de saudades morreriaSe eu morresse amanhã!Quanta glória pressinto em meu futuro!Que aurora de porvir e que manhã!Eu perdera chorando essas coroasSe eu morresse amanhã!Que sol! que céu azul! que doce n’alvaAcorda a natureza mais louçã!Não me batera tanto amor no peitoSe eu morresse amanhã!Mas essa dor da vida que devoraA ânsia de glória, o dolorido afã…A dor no peito emudecera ao menosSe eu morresse amanhã!
(Álvares de Azevedo)
A tensão presente no poema decorre da coexistência de dois impulsos característicos da segunda geração romântica. Esses impulsos são
Ⓐ o nacionalismo ufanista e a crítica às instituições políticas.
Ⓑ o desejo de engajamento social e a valorização da linguagem objetiva.
Ⓒ a idealização da morte e o apego às possibilidades de realização da vida.
Ⓓ a exaltação da razão e a recusa das emoções individuais.
Ⓔ a valorização da epopeia clássica e o culto ao heroísmo coletivo.
Embora o poema apresente forte atração pela ideia da morte, o eu lírico lamenta profundamente tudo o que deixaria de viver: a glória futura, o amor, a contemplação da natureza e os laços familiares. Essa ambivalência — simultaneamente desejar a morte como libertação da dor e lamentar a perda das possibilidades da existência — constitui uma das características mais marcantes da segunda geração do Romantismo (Ultrarromantismo), da qual Álvares de Azevedo é um dos principais representantes.
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