27 de junho de 2026

(VPNE - CFGS/ESA 2026) - QUESTÃO

Se eu morresse amanhã

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã…
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

(Álvares de Azevedo)

A tensão presente no poema decorre da coexistência de dois impulsos característicos da segunda geração romântica. Esses impulsos são
Ⓐ o nacionalismo ufanista e a crítica às instituições políticas.
Ⓑ o desejo de engajamento social e a valorização da linguagem objetiva.
Ⓒ a idealização da morte e o apego às possibilidades de realização da vida.
Ⓓ a exaltação da razão e a recusa das emoções individuais.
Ⓔ a valorização da epopeia clássica e o culto ao heroísmo coletivo.

Embora o poema apresente forte atração pela ideia da morte, o eu lírico lamenta profundamente tudo o que deixaria de viver: a glória futura, o amor, a contemplação da natureza e os laços familiares. Essa ambivalência — simultaneamente desejar a morte como libertação da dor e lamentar a perda das possibilidades da existência — constitui uma das características mais marcantes da segunda geração do Romantismo (Ultrarromantismo), da qual Álvares de Azevedo é um dos principais representantes.

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