27 de junho de 2026

(VPNE - CFGS/ESA 2026) - QUESTÃO

A Catedral

Entre brumas ao longe surge a aurora,
O hialino orvalho aos poucos se evapora,
Agoniza o arrebol.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece na paz do céu risonho
Toda branca de sol.

E o sino canta em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

O astro glorioso segue a eterna estrada.
Uma áurea seta lhe cintila em cada
Refulgente raio de luz.
A catedral ebúrnea do meu sonho,
Onde os meus olhos tão cansados ponho,
Recebe a benção de Jesus.

E o sino clama em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

Por entre lírios e lilases desce
A tarde esquiva: amargurada prece
Poe-se a luz a rezar.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece na paz do céu tristonho
Toda branca de luar.

E o sino chora em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

O céu e todo trevas: o vento uiva.
Do relâmpago a cabeleira ruiva
Vem acoitar o rosto meu.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Afunda-se no caos do céu medonho
Como um astro que já morreu.

E o sino chora em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

(Alphonsus de Guimaraens. 
http://www.jornaldepoesia.jor.br/al1.html#catedral)

A musicalidade do poema é reforçada principalmente pela presença:
Ⓐ de linguagem técnica e científica.
Ⓑ de repetições, sonoridade e refrões.
Ⓒ de frases curtas e objetivas.
Ⓓ de diálogos entre personagens.
Ⓔ de explicações filosóficas.

O Simbolismo valoriza a musicalidade. No poema, ela aparece nas repetições, nas aliterações, nas assonâncias e no refrão ligado ao sino.

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