"O ser senhor de engenho é título a que muitos aspiram porque traz consigo o ser servido e respeitado de muitos." A célebre frase do Padre Antonil, em sua obra escrita no início do século XVIII, reflete a profunda hierarquia das profissões e atividades no Brasil Colonial . Segundo o historiador BORIS FAUSTO, a atividade comercial e o trabalho artesanal eram vistos pela sociedade da época como:
Ⓐ profissões de prestígio equivalente ao de senhor de engenho devido ao expressivo volume de capital monetário envolvido.
Ⓑ atividades altamente honradas, cujos membros controlavam nativamente os cargos políticos nas Câmaras Municipais das grandes cidades.
Ⓒ ocupações exclusivas da fidalguia e da aristocracia hereditária portuguesa transferida para a Colônia.
Ⓓ atividades menos dignas e depreciadas, pois o trabalho manual era considerado inferior e muitos comerciantes enfrentavam a discriminação por serem cristãos-novos.
Ⓔ setores protegidos pela Coroa que contavam com representação paritária e obrigatória nos Tribunais da Relação.
Conforme o historiador Boris Fausto: o comércio era considerado uma profissão menos digna, e os homens de negócios estavam, em teoria, excluídos das honrarias e das Câmaras (agravado pelo fato de muitos serem cristãos-novos) . Do mesmo modo, os artesãos eram depreciados porque o trabalho manual era visto como uma atividade inferior, socialmente estigmatizado como "coisa de negro" .
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