Na transição do Governo Provisório para o Governo Constitucional (1933-1934), a composição da Assembleia Constituinte revelou as clivagens políticas da sociedade brasileira da época. O historiador Boris Fausto chama a atenção para o fato de que, ao contrário dos congressos da República Velha, a Constituinte de 1934 abrigou:
Ⓐ Apenas representantes indicados pelo Partido Comunista Brasileiro, ilegal desde 1930.
Ⓑ Forças heterogêneas que incluíam as tradicionais oligarquias agrárias reorganizadas, a bancada "tenentista" defensora da centralização e representantes de novas correntes corporativistas e católicas.
Ⓒ Exclusivamente a burguesia industrial paulista, isolando por completo os representantes do Nordeste e do Sul.
Ⓓ Uma maioria esmagadora de operários sindicalizados da indústria automobilística nacional.
Ⓔ Membros nomeados diretamente pelas embaixadas dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha.
Conforme o historiador Boris fausto: a Constituinte de 1934 foi um mosaico de forças políticas em transição. As elites tradicionais (agora atuando sob partidos estaduais) tentavam recuperar terreno; o grupo "tenentista" e os burocratas do governo (organizados em agremiações como o Partido Autonomista do Distrito Federal ou aglutinados ao redor do governo) defendiam um Executivo forte; e a Igreja Católica, por meio da Liga Eleitoral Católica (LEC), pressionava por pautas morais. Essa heterogeneidade explica o caráter híbrido e de compromisso da Carta de 1934.
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