"Não
delegava
a Coroa
aos
donatários
apenas
poderes civis,
tão
amplos
que Varnhagen
os chamou de majestático,
delegava
ainda
o ônus da defesa, e por isso
mesmo
o donatário
era, a um tempo,
governador
e capitão [...] Mas no
Foral
dispunha
taxativamente: 'os moradores
e povoadores e povo da dita capitania serão obrigados em tempo de guerra a servir nela com o
capitão se lhe necessário for.' Permitia, assim, ao donatário, o exercício do poder militar e o título
de comandante,
enquanto
colocava às suas
ordens os povoadores,
obrigados
a servi-lo
e a
reconhece-lo
como
chefe,
ao
mesmo
tempo em
que
permitia
a entrada de instrumentos
necessários à
luta militar, as armas e munições, e ainda o tráfico delas, com a reserva de que
isso só ocorresse entre cristãos e súditos do reino, o que vedava o comércio de armas com os
indígenas,
objeto,
como
se verá, de constantes
cuidados
e discriminações
nesse sentido.
(SODRÉ,
Nelson
Werneck.
História
Militar do Brasil. 2ª ed. São Paulo:
Expressão
Popular, 2010. p.28)
O primeiro sistema de administração do Brasil Colonial foi o chamado sistema de Capitanias
Hereditárias. Este sistema conferia à empresa colonizadora o caráter de empreendimento privado
- amplos
poderes
eram
cedidos
aos
donatários, que os exerciam
em
nome da Coroa, em troca
da assunção por estes dos riscos
e gastos
necessários.
O fracasso
desse
sistema,
porém, levaria
o governo
português
a centralizar
a administração
-
o que também
afetou
a organização da
defesa da colônia.
Sobre a organização militar no período colonial, assinale a afirmativa correta:
Ⓐ As tropas de linha, também conhecidas como terços, eram comandadas por um oficial civil,
escolhido pelo governador segundo prestígio e riqueza, e
não remunerados.
Ⓑ As milícias eram tropas regulares e profissionais em armas, sendo na maioria das vezes
compostas por mercenários estrangeiros.
Ⓒ As ordenanças eram compostas por toda a população masculina em condições fisicas e
idade militar, convocadas quando necessário.
Ⓓ Em 1692, a preocupação com a defesa da colônia levou à fundação, em Salvador, da Real
Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho.
Ⓔ As primeiras feitorias não apresentavam caráter militar, estando desprotegidas e vulneráveis.
Esta situação permaneceria até o período pombalino, quando a Coroa deu inicio então a
um amplo programa de construção de fortes junto aos centros urbanos da colônia.